O Uso de Beta-Glucana Extraída da Aveia Como Agente Bioativo no Tratamento de Dislipidemias

Grupos/Linhas de pesquisa:
Biodiversidade e Ambiente/ Biodiversidade e ambiente

Programas/Linhas de Pesquisa (Mestrados/Doutorados):
Sistemas Ambientais e Sustentabilidade/ Qualidade Ambiental em Sistemas Produtivos

Duração: 02/07/2021 até 01/07/2024

Participantes:

Resumo:

A aveia branca (Avena sativa L.) é um dos cereais mais cultivadas no sul do Brasil, sendo utilizada para cobertura de solo, alimentação animal e consumo humano. Tem na composição do grão a fibra Beta-glucana, que possui funcionalidades bioativas com benefícios a saúde humana. Entre os vários benefícios destaca-se o efeito hipolimiante/dislipidemia com redução de estresse celular relacionado a processos inflamatórios e obesidade. A incidência de casos mundiais relacionados a dislipidemia e doenças metabólicas é um dado preocupante segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Estão diretamente relacionadas com o distúrbio do metabolismo das lipoproteínas, como o aumento do colesterol total, da lipoproteína de baixa densidade (LDL), dos triglicerídeos e diminuição da lipoproteína de alta densidade (HDL). Estes eventos se relacionam aos fatores genéticos, ambientais e culturais, que vão desde os maus hábitos alimentares, consumo de produtos industrializados e de baixo valor nutritivo, até a falta de atividades físicas regulares, que são aderidos desde o público infantil, dando continuidade na vida adulta. Esta condição é comumente caracterizada pela rotina de trabalho e má educação alimentar, gerando maior consumo de fast-food, salgadinhos, frituras, corantes artificiais, doces, etc. Devido a isso, tende a aumentar a ocorrência de problemas como sobrepeso, colesterol elevado (LDL), diabetes, hipertensão arterial e a série de problemas cardiovasculares. Atualmente, para o controle da dislipidemia, na maioria dos casos, recomenda-se o uso de medicamentos sintéticos, ou seja, a base de estatinas. No entanto, estes exigem um longo período de uso, dificultando a adesão ao tratamento, além de favorecer a ocorrência de efeitos colaterais, dentre eles, náuseas, tonturas, problemas gastrointestinais e até mesmo musculares. Na perspectiva de alternativas inovadoras e mais sustentáveis, buscando solução ao problema e garantia de qualidade de vida, pesquisas vem sendo feitas visando identificar possíveis bioativos naturais. Nesta linha de ação vem sendo relatado o potencial de redução de dislipidemia através da fibra insolúvel Beta-glucana, a qual, também promove a melhora do fluxo intestinal, redução de níveis elevados de LDL, triglicerídeos e doenças cardiovasculares. Uma das espécies vegetais que mais apresenta Beta-glucana nos grãos é a aveia branca, cultura de estação fria mais abundante e de grande interesse na agricultura da região noroeste do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Destaca-se, que esta região, é a principal produtora de grãos de aveia, sendo esta espécie de grande interesse agronômico para agricultores e agroindústrias de alimentos. Portanto, a aveia além de nutrir, melhora as funções intestinais com redução de colesterol, justificando seu potencial nutracêutico. Segundo dados da FAO, é necessário ingerir 100 g de grãos de aveia por dia para obter entre 9,0 a 14,0 g da fibra Beta-glucana. Nesta condição, se observa muitas vezes dificuldades por parte dos consumidores em administrar a quantidade correta todos os dias, além dos aspectos ligados a palatabilidade da aveia, pois o uso rotineiro e em maior quantidade visando atingir os níveis necessários de Beta-glucana, acaba tornando o tratamento enjoativo. Diante disso, se levanta a hipótese da possibilidade de isolamento eficiente da fibra Beta-glucana, aumentando suas concentrações para produção de cápsulas ou sachês, bem como na introdução de alimentos. Esta condição pode fornecer ao consumidor uma via de administração prática, evitando gosto e/ou tornando os alimentos saborosos, o que facilita a ingestão da fibra alimentar via formulação adaptada. Nesse contexto, o objetivo do estudo é desenvolver e validar um protocolo de isolamento da fibra Beta-glucana e possivelmente a formulação de um produto nutracêutico na redução de dislipidemias em humanos.

Obs: Essas informações são de responsabilidade do coordenador do projeto.